Foi, em termos arquitectónicos, o edifício civil mais nobre e mais representativo da Monsaraz antiga, e está situado na fachada oriental da Rua Direita.
Foi edificado no 2.º quartel do séc. XIV, durante os reinados de D. Dinis e D. Afonso IV, como consequência do desenvolvimento administrativo e económico da vila. Serviu também de cadeia da comarca.
A Sala do Tribunal foi decorada no séc. XV com um fresco que esteve durante séculos tapado com um tabique de tijolo e só em 1958 é que este exemplar único em Portugal, em relação ao assunto temático profano, foi redescoberto e salvo da destruição.
Esta invulgar obra do património artístico representa a alegoria da justiça terrena, em que o bom e o mau juiz são os elementos principais, e em que se evidenciam as fórmulas tradicionais de isenção e corrupção humanas.
A pintura é dos finais do séc. XV, apresentando na parte cimeira a figura de Cristo em majestade, assente no globo terrestre com a inscrição UROPA. Ladeando a figura de Cristo estão dois profetas mostrando o ALFA e o ÓMEGA, simbolizando respectivamente o Principio e o Fim.
O Painel inferior e principal apresenta as figuras do Bom e do Mau Juiz, acompanhadas por figuras comuns de um julgamento civil. O Bom Juiz segura a vara recta da justiça com dignidade e expressão solene, em oposição ao Mau Juiz com duplo rosto e a vara da justiça quebrada.
As figuras que encimam as cadeiras do Bom e do Mau Juiz são a Justiça e a Misericórdia no juiz íntegro, e a perversão expressa na cabeça de um demónio no Juiz corrupto.