30 janeiro 2017

Cientista de Reguengos de Monsaraz conta experiência profissional que viveu durante 61 semanas na base Halley VI, na Antártida

Palestra de Ricardo Almeida no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz

O engenheiro de eletrónica e telecomunicações Ricardo Almeida esteve 61 semanas a trabalhar na base Halley VI, na Antártida, ao serviço da British Antarctic Survey, e vai contar as suas conclusões científicas e pessoais no sábado, dia 1 de abril, pelas 14h, no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz. Ricardo Almeida reside na localidade de Campinho, no concelho de Reguengos de Monsaraz, e vai falar sobre a sua aventura profissional no âmbito do projeto "Jovens Reguenguenses pelo Mundo", promovido pela Junta de Freguesia de Reguengos de Monsaraz em parceria com a Associação de Jovens de Reguengos de Monsaraz e a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz.

Ricardo Almeida regressou há cerca de um mês da base Halley VI, na Antártida, local onde tinha como tarefas a gestão de radares usados em meteorologia espacial, nomeadamente um de média frequência e o SuperDARN – Super Dual Auroral Radar Network, supervisão de recetores GPS de alta precisão que analisam as placas de gelo para saberem a velocidade e a direção em que se estão a mover, lançamento da balões meteorológicos, entre outros projetos científicos em que esteve envolvido durante mais de um ano. Na base esteve acompanhado por 12 pessoas de várias nacionalidades e os seres humanos que se encontravam mais próximos estavam a 800 quilómetros de distância.

O reguenguense Ricardo Almeida criou um site (ricardodaantartida.wordpress.com) onde explica como decidiu abraçar este desafio profissional e onde descreve os dias passados na Antártida. Ricardo escreveu que enquanto estava no anterior trabalho, em Lisboa, recebeu uma newsletter e "algures por lá estava um artigo que informava que o British Antarctic Survey andava à procura de engenheiros para a próxima temporada… na Antártida. Como se isso não bastasse, a temporada em questão incluía o Inverno de 2016. No total eram 18 meses de contrato, 15 dos quais no outro lado do mundo…literalmente. Aquilo que me chamou a atenção foi a forma como a proposta foi exposta: "If you are a bit bored with your job…". Tendo em conta que eu estava a morrer aos poucos em Lisboa, fiquei logo curioso. O resto foi seguir o link e pensar no assunto".

​Num dos últimos textos, Ricardo Almeida explica: "A última das minhas tarefas científicas por estes lados. Tirando arranjar a torradeira se for preciso, mudar lâmpadas ou aspirar teclados, do ponto de vista cientifico o meu trabalho resume-se a isto. A meteorologia é algo que ocupa algum tempo e recursos. Existe uma pessoa dedicada à tarefa durante 5 dias por semana mas infelizmente este trabalho exige 18h de dedicação diária, incluindo fins de semana, feriados, Natal, Ano Novo ou mesmo a Páscoa. Em que consiste exatamente? Bem, são várias tarefas aliás. As duas constantes, aquelas que são realizadas 365 dias por ano, 18h por dia são as observações meteorológicas (synops – que vem de "synoptic observation") e o lançamento do balão com uma sonda atmosférica. Pelo meio ainda fazemos a calibração dos sistemas que, idealmente também deverá ser diária, e as medições de ozono, que só se fazem quando o Sol fica bem acima do horizonte".


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