20 maio 2015

Festa Ibérica da Olaria e do Barro apresenta mais de meia centena de olarias de Portugal e Espanha

Gonçalo Jordão, que integrou a equipa técnica do filme Grand Budapest Hotel, pintou cinco painéis na Casa do Barro

A Festa Ibérica da Olaria e do Barro vai decorrer entre os dias 22 e 24 de maio em S. Pedro do Corval com a participação de mais de meia centena de olarias e ceramistas de Portugal e de Espanha. Este certame organizado pelo Município de Reguengos de Monsaraz, Junta de Freguesia de Corval e Ayuntamiento de Salvatierra de los Barros junta os dois maiores centros oleiros da Península Ibérica, nomeadamente S. Pedro do Corval, no concelho de Reguengos de Monsaraz, e Salvatierra de los Barros, na Extremadura espanhola.

A Festa Ibérica da Olaria e do Barro é um evento transfronteiriço de promoção cultural e turística de uma importante manifestação artística e artesanal: a olaria. Organizada em anos alternados em cada município há mais de duas décadas, com esta iniciativa pretende-se valorizar a olaria, chamar a atenção para o seu valor artesanal e artístico e apontar estratégias para o seu desenvolvimento económico e profissional.

S. Pedro do Corval é considerado o maior centro oleiro de Portugal, com 22 olarias em atividade e onde se pode assistir ao vivo a esta arte ancestral e adquirir peças produzidas pelos artesãos. Na 21ª Festa Ibérica da Olaria e do Barro vão participar 45 olarias portuguesas, entre as quais 16 de S. Pedro do Corval. Oriundos de Portugal vão estar também presente oleiros e ceramistas de norte a sul do país, de localidades como Condeixa-a-Nova, Almoster, Ericeira (2 olarias), Reguengos de Monsaraz, Sintra, Beringel, Mourão, Cartaxo, Oeiras, Venda do Pinheiro, Redondo (2 olarias), A-da-Beja, Mafra, Santo André, Lagoa (2 olarias), Galegos S. Martinho, Mem Martins, Póvoa de Santo Adrião, Vila Nova de Milfontes, Estremoz, Braga, Loures, Queluz, Cacém, Évora de Alcobaça e Mangualde. Espanha estará representada com sete olarias de Salvatierra de los Barros.

A Festa Ibérica da Olaria e do Barro abre ao público na sexta-feira, às 10h, e poderá ser visitada diariamente até à meia-noite. Também às 10h têm início as Jornadas Ibéricas de Olaria e Cerâmica, que vão decorrer na Casa do Barro, o centro interpretativo da olaria de S. Pedro do Corval que será inaugurado às 18h, tal como a Festa Ibérica da Olaria e do Barro. A partir das 21h30, no Festival Ibérico de Música Popular e Tradicional, haverá um espetáculo com Nayara & Ballet Flamenco de Sevilha.

No sábado, entre as 14h e as 20h, decorre o programa "Aqui Portugal", da RTP1, uma emissão em direto com muita música, entrevistas e reportagens do concelho. À noite, no festival, a partir das 21h30, realiza-se um concerto com a banda e o coro polifónico da Sociedade Filarmónica Corvalense. No domingo, o Festival Ibérico de Música Popular e Tradicional terá um espetáculo às 17h30, com o Grupo Flamenco Chanela, e outro pelas 21h30, com o grupo D. Laura e Teresa Tapadas.

A Festa Ibérica da Olaria e do Barro é uma homenagem viva à arte da olaria, através de exposições, demonstrações, jornadas ibéricas e música tradicional. Esta edição ficará marcada pela inauguração da Casa do Barro, um centro interpretativo que visa preservar, promover e assegurar a sustentabilidade da olaria de São Pedro do Corval, proporcionando a todos os visitantes o conhecimento e a aprendizagem sobre a arte oleira e o barro através de oficinas, palestras e outras atividades.

Gonçalo Jordão, muralista que integrou a equipa do filme Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson, que foi distinguida com um Óscar de Hollywood na categoria de Melhor Direção Artística, pintou cinco painéis na Casa do Barro. Um painel é sobre os diferentes tipos de barro e os restantes são alusivos aos quatro elementos da natureza, terra, água, ar e fogo.

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A Casa do Barro resulta da reabilitação de uma antiga olaria, envolta em história e tradição, com dois fornos de lenha antigos que serviam para cozer a louça, um tino onde se coava o barro e rodas de oleiro com as suas imponentes arquinas. A recuperação deste local permitiu recriar o ciclo do barro, desde a terra ao produto final.

O centro interpretativo vai ter à disposição do público o Espaço Atividade, onde haverá iniciativas com oleiros e ceramistas e os visitantes poderão aprender a manusear o barro e a produzir uma peça numa roda de oleiro. A Área Expositiva terá informação sobre todas as olarias em atividade e quadros interativos com documentários de vários mestres oleiros, que explicam como era realizado todo o processo de produção de uma peça, desde a recolha do barro até à sua comercialização.

No Espaço Memória, onde se reconstruiu a antiga olaria, os visitantes vão encontrar objetos e documentos sobre a história do centro oleiro, incluindo peças de barro que se produziam antigamente, dois fornos tradicionais a lenha, um tino, um tanque e rodas de oleiro. No Espaço Mostra, ao ar livre, poderão ser apreciadas as peças produzidas pelas olarias atualmente em atividade.

 

Olaria, vinho e gastronomia nas Jornadas Ibéricas de Olaria e Cerâmica

No ano da Cidade Europeia do Vinho 2015, as Jornadas Ibéricas de Olaria e Cerâmica vão decorrer no dia 22 de maio, a partir das 10h, na Casa do Barro, sob o tema "Olaria, vinho e gastronomia", com a participação de especialistas portugueses e espanhóis. Nuno Alas, Diretor do Centro de Emprego e Formação Profissional de Évora, vai apresentar uma comunicação sobre "Qualificar o território – intervenção e estratégias do serviço público de emprego".

Segue-se Antónia Conde, professora do Departamento de História da Universidade de Évora, que vai falar sobre "A olaria em S. Pedro do Corval, uma arte em terras de Baco", e Maria Noémia Marujo, professora no Departamento de Sociologia da mesma universidade, vai abordar a temática "Turismo cultural e criativo".

A fechar a manhã, Filipe Themudo Barata, também professor do Departamento de História da Universidade de Évora, vai apresentar a comunicação "Recuperar os saberes fazeres tradicionais em Portugal. Desenvolver estratégias inteligentes", e Juan Barrero, arquiteto técnico e colaborador do Museu Alfareria Salvatierra, vai falar sobre "Restauração virtual de peças antigas de cerâmica".

As jornadas prosseguem de tarde com os temas "Cerâmica e vinho: as talhas desde a época romana até ao presente", por Miguel Alba, arqueólogo e diretor do Consórcio da Cidade Monumental de Mérida, "O barro e o vinho: relações transfronteiriças", por Reyes González, professor do Instituto San José, e "Olaria e vinho, duas tradições eternas", por José Carretero, historiador e colaborador do Museu Alfareria Salvatierra.

Os trabalhos encerram com as comunicações de Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, sobre "Olaria, vinho e gastronomia/turismo", e de João Luís Cardoso, vice-presidente da Academia Portuguesa de História e Académico Correspondente da Real Academia da História, que vai explicar "O que se comia em Reguengos há 5.000 anos".

 

Sobre o Centro Oleiro de S. Pedro do Corval

O Centro Oleiro de S. Pedro do Corval é considerado o maior de Portugal com 22 olarias em atividade que continuam a pintar os motivos típicos do Alentejo, como por exemplo o pastor, a apanha da azeitona e a vindima. A olaria de S. Pedro do Corval data a sua existência, ao menos, do período da dominação árabe, conforme o atesta o teor do Foral Afonsino outorgado a Monsaraz em 1276, mas também a linguagem e a terminologia muito próprias ainda em uso.

Em S. Pedro do Corval podem ser encontradas as mais belas e formosas peças de barro, trabalhadas por habilidosos artesãos que assim continuam uma tradição multissecular de fabrico de louça tosca, vidrada e decorativa, de extraordinário valor estético e etnográfico. Artesãos que dão provas da sua arte aproveitando os magníficos barros das herdades vizinhas, conjugando, assim, as matérias-primas que os recursos naturais ainda oferecem.

Constituindo um autêntico espelho da vida rural e dos costumes ancestrais, a olaria de S. Pedro do Corval, o seu espírito muito próprio e as suas excecionais qualidades são os genuínos responsáveis pela criação de peças de grande utilidade, efeito decorativo ímpar, impondo-se naturalmente pelo conjunto das suas tonalidades e pela beleza campestre das suas composições.

A olaria de S. Pedro do Corval é hoje uma marca registada pois o Município de Reguengos de Monsaraz registou em 2008 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial as marcas nacionais "Olaria de São Pedro do Corval", "Rota da Olaria", "Rota dos Oleiros" e "Olaria".

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